Post de Apoio: Haadaa Sendoo, da Mongólia para o Mundo

O Dr. Haadaa Sendoo

Olá Queridos Contempladores! Bem vindos ao nosso Medium!
Esse é o post de apoio para o primeiro episódio do nosso podcast, que você pode conferir nas suas plataformas favoritas, ou indo ao nosso site em https://anchor.fm/poesiadecozinha

É aqui que colocamos os materiais de apoio de forma mais organizada, para auxiliar os ouvintes e ter um canal mais visual sobre tudo que tratamos.
Nesse episódio falamos do Dr. Haadaa Sendoo e de alguns aspectos culturais da Mongólia, sua terra natal.

A Mongólia

Imagem Disponível em FreePik

A Mongólia fica na Ásia e está situada entre os territórios da China e da Rússia. Foi o lar de um dos maiores impérios do mundo, o império mongol, fundado por Genghis Khan, um dos homens mais ferozes e determinados que o mundo já conheceu.

Tendo atualmente mais de três milhões de habitantes, que se reúnem principalmente em sua capital, Ulan Bator ou Ulaanbaatar, sua principal característica geográfica é ser um país de clima seco e com áreas desérticas bem grandes. Lá se encontra o famoso deserto de Gobi, que é o quinto maior deserto do mundo, rico em fósseis e outras formações geológicas únicas.

As principais atividades econômicas da Mongólia são a mineração e a pecuária. O país é um grande importador de energia de seus vizinhos e uma coisa interessante sobre esse lugar, é que um quarto da sua população vive em condições de nomadismo ou semi-nomadismo, que é quando grandes massas populacionais migram seus assentamentos e moradias de tempos em tempos, em busca de condições de vida melhores.

Genghis Khan, o Castigo de Deus

Imagem disponível em Revista Planeta

Uma das grandes personalidades da Mongólia foi o Imperador Nômade Genghis Khan. Sua história começa com o abandono que sofreu após a morte de seu pai, pois as tribos nômades da época valorizavam a força e ele, aos seus treze anos, era considerado um peso pelos outros guerreiros. Com o tempo ele cresceu e se casou com sua noiva, com quem tinha compromisso desde os nove anos de idade.

Sua sede de conquista começa como muitas outras, com um ultraje. Um chefe de tribo rival, raptou sua esposa e Genghis, que na época se chamava Temujin, decidiu se vingar. Para isso, usou seu carisma e fez aliança com uma outra tribo, que o ajudou a devastar o acampamento do raptor e retomar a sua esposa. Com essa vitória, Temujin ganhou o respeito das tribos e foi nomeado chefe do clã. Assim, inebriado pela glória, ele mudou seu nome para Genghis Khan, que significa Guerreiro Perfeito.

A partir daí, começaram seus planos de expansão que foram tão ambiciosos quanto era grande a sua fama. Seu primeiro grande feito foi unificar as diversas tribos mongóis através de um kurultai, que era uma espécie de assembleia, onde foi nomeado chefe supremo das tribos, ou Khan.

Seu lema era “Um único sol no céu, um único soberano na terra” e com essa bandeira, ele dominou a china, parte da índia, a pérsia e grande parte do território russo.

Suas heranças incluem a criação de uma constituição única para as tribos, uma identidade forte mongol e calcula-se que ele é pai biológico de 5% da população asiática, o que cá entre nós, é muita gente.

Para homenageá-lo, hoje há uma estátua equestre de 40 metros de altura feita em 250 toneladas de aço inoxidável às margens do rio Tuul, você pode vê-la no topo dessa seção do post.

De seu legado, herdamos algumas frases interessantes:

“Eu sou um castigo de Deus. E se você não cometeu grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu.”

“Se você tem medo não o faça, se você o está fazendo não tenha medo!”

“Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.”

“O prazer e a alegria do homem consistem em esmagar o rebelde e conquistar o inimigo, em arrancá-lo pela raiz e tomar dele tudo que ele pertence.”

As Músicas Que Inspiraram o Episódio

Uma Pequena Playlist que montei com alguns dos artistas contemporâneos mais evidentes da cena musical mongol atual.

Uma playlistzinha pra ficar perto da Mongólia

NOMADS

Esse foi o primeiro poema lido durante o episódio:

In the flaming Gobi Desert
welcoming the last day of golden fall
a herdsman drives a camel forward
and with it, a hound
Is their journey distant from mine?
As the boundless Gobi joins the sky
on the tallest hump…
 
that turns into a Mongolian yurt
while my eyes are dazzled on this
Mongolian plain
and the lovely green empire in my soul
has never fallen down…
Isn’t the pure white Mongolian yurt
my last real home?

Hadaa Sendoo, o poeta sem fronteiras

O Dr. Hadaa Sendoo é um distinto poeta Mongol que vive em Ulan Bator onde ele trabalha como Professor de Literatura na Universidade Nacional da Mongólia.

Ele nasceu em 1961, no sudoeste da Mongólia, hoje Mongólia interior e cresceu em Shiiligool. Seu pai era um diretor de teatro e sua mãe uma atriz.

Em sua infância, sua família se mudou para próximo das montanhas Dalan Har, onde Hadaa passou a maior parte desse período. Ele estudou o idioma mongol antigo, assim como chinês na escola local, mas cansado da vida acadêmica, mais tarde ele retornou à estepe para um período de vida nomádica até 1984, quando seu pai o incentivou a entrar num instituto de arte, onde logo ele ocupou um cargo de assistente editorial.

O Jovem Hadaa teve contato com vários clássicos da literatura mongol, incluíndo os épicos livros Jangar, os Livros das Canções Folclóricas mongóis e a poesia modernista, conhecida por lá como Shuleg.

Em 1989 ele publicou sua primeira coletânea de poemas, intitulada “The Nomadic Songs and Moonlight”, que numa tradução livre significa: As cancôes nômades e a luz da lua.

Em 1991, ele se moveu para o Norte da Mongóla e desde então ele vive em Ulanbaatar (outro nome para Ulan Bator), onde se dedicou à pesquisa da literatura folclórica Mongol, incluindo músicas e mitologia.

Em 1996, público sua primeira coleção de poemas escritos em cirílico mongol. Em 1998 ele se juntou formalmente à União de Escritores Mongóis e em 1999, junto de alguns amigos, ele fundou a revista cultural chamada de O Mundo Mongol, que era editada em Inglês e Mongol, num formato bilíngue e publicada na Mongólia. Nessa época, ele e um amigo chamado Tserendorj, que também é um poeta, organizaram o primeiro festival de poesia asiática em Ulan Bator. Também ganhou o prêmio de Athenas e a 2ª Olimpíada de Cultura ainda neste ano.

Mais maduro, Hadaa escreveu muitos poemas e seu estilo começou a variar, assumindo um tom diferente dos poemas de seu passado, logo ele se tornou um poeta muito laureado.

Em 24 de Setembro de 2011, ele se juntou ao movimento de poesia mundial e foi um de seus primeiros membros.

Em 2012, ele foi convidado para um festival de poesia no Reino unido, chamado de Southbank Centre’s Poetry Parnassus, onde leu sua obra e discutiu seu trabalho como convidado especial do festival. Nesse momento especial, seus últimos trabalhos foram exibidos como parte da celebração em outdoors no Royal Festival Hall e no Queen Elizabeth Hall.

Um de seus poemas foi selecionado para participar da ação “Rain of Poems” ou Chuva de Poemas e foi distribuído de helicóptero sobre Londres.

Prêmios

The Poet of the Millennium Award (India,2000);
The Mongolian Writers Union Prize (Mongolia,2009);
The Pinnacle of Achievement Award for poetry (USA,2011);
Nosside Prize for poetry (Italy,2014);
Visionary Poet Award (Canada,2015)

Bibliografia

Poetry: The Nomadic Songs and Moonlight (Chinese 1989);
Rock Song (Mongolian 1996);
The Steppe (Mongolian 2005);
Come Back to Earth (English 2009);
Come Back to Earth (Hui gui da di, Taipei 2010);
Yurt (Georgian, Tbilisi, 2010);
The Road Is Not Completed (Mongolian, 2011)
Sweet Smell of Grass (بوی شیرین چمن Persian, Tehran, 2016)
Aurora (Kurdish,2017)
Mongolian Blue Spots (Dutch, 2017)
Mongolian Long Tone (Georgian, 2017)

A Comida

O podcast não se chama poesia de cozinha à toa e um dos meus hobbys favoritos é cozinhar.

Para acompanhar a cultura do Dr. Haadaa, escolhi uma receita simples e resolvi fazê-la com o que temos à disposição aqui em casa. Eu segui uma receita de Buuz que encontrei no portal G1 do Pará, dá época em que o circo Francês Le Cirque estava em cartaz em Belém. Como o circo tem muitos artistas mongóis, é comum que eles queriam relembrar de casa com receitas típicas.

O Buuz é um bolinho de trigo e carne, parecido com o Gyosa, das culinárias Chinesas e Japonesas. A culinária Mongol é muito carnívora e consomem bastante carne de carneiro. Como não tenho carneiro na geladeira, vou usar carne bovina mesmo.

O Segredo desse bolinho é manter a carne suculenta, pois como os nômades vivem em constante movimentação pelo deserto, as comidas úmidas são muito apreciadas.

O Bolinho ainda cru, na cuscuzeira
Os bolinhos, já cozidos numa bandejinha com shoyu
Ficaram deliciosos!

It is not true I have no home

Agora, o último poema lido no episódio:

It isn’t true that I have no home
I say so to myself
when I feel sad
It isn’t true thatI have no home
My home is a rising sun
But now it looks like a cold moon
with knitted brows
It isn’t true that I have no home
My home is a stack of hay
Who will turn it over to let it dry?

Encerramento

Me despeço de vocês com calor no coração, uma saudade do que a gente não viveu ainda nos desertos e estepes da Mongólia e com votos de que fiquem bem e estejam sempre em paz. Não deixem de ler nunca, pois o livro é nossa arma mais poderosa! Estejam fortes!

Fontes

As fontes de pesquisa para o episódio foram: 
interLitQ.org: http://www.interlitq.org/staff/hadaa-sendoo/bio.php
Alchetron: https://alchetron.com/Hadaa-Sendoo
Toda Matéria: https://www.todamateria.com.br/genghis-khan/
Brasil Escola: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/mongolia.htm

E não esqueça de conhecer a receita de Buuz, que eu consegui graças ao portal G1 do Paraná: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2015/12/aprenda-fazer-buuz-receita-mongol-que-faz-sucesso-no-circo-frances.html

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