Post de Apoio: Tekahionwake – Duas vidas vividas pela mesma nação

Olá queridos Contempladores! Bem vindos ao nosso site!
Esse é o post de apoio para o primeiro episódio do nosso podcast, que você pode conferir nas suas plataformas favoritas, ou indo ao nosso site em https://anchor.fm/poesiadecozinha

É aqui que colocamos os materiais de apoio de forma mais organizada, para auxiliar os ouvintes e ter um canal mais visual sobre tudo que tratamos.
Nesse episódio falamos da poetisa E. Pauline Johnson, também conhecida como Tekahionwake e de alguns aspectos culturais do Canadá, sua terra natal.

A Poetisa do Mês! Imagem disponível em Forbidden Vancouver
O mapa do Canadá, disponível em Free US and World Maps

Canadá, uma Breve história

A história do Canadá se confunde com a própria colonização do continente americano. Desde as teorias de povoação que tratam da passagem de antigas comunidades através do estreito de Bering, até a presença dos Vikings mil anos atrás, esse País lotado de belezas naturais, viu sua terra ser tocada por diversas culturas.

No ano de 1497, o italiano Giovani Caboto, navegando a serviço da coroa britânica, reivindicou o domínio europeu sobre aquela terra. A França, na época com uma sede colonial enorme, também se fixou na região. Ambos os países procuravam rotas para o Oriente quando começaram esse processo.

Por mais que a Inglaterra e a França não tenham encontrado uma rota mais curta para o mercado de especiarias, as peles e o pescado canadenses encheram as mesas e os bolsos dos colonizadores e logo, várias disputas territoriais começaram no solo canadense, pois era do interesse dos franceses e ingleses que apenas um dos países tivesse influência naquela região. No final, os ingleses acabaram controlando a maior parte do território.

O domínio inglês durou por um tempo até que, logo após a guerra civil dos EUA, as autoridades canadenses preocupadas com a influência estadunidense poderiam tentar anexar seus territórios e que para evitar isso, a união entre as províncias era fundamental. Assim, em 1º de julho de 1867, os territórios de Canadá Oeste, Canadá Leste, Novo Brunswick e Nova Escócia se uniam através do Ato da América do Norte Britânica, com independência política em quase todos os aspectos, mas ainda parte da coroa inglesa, eles ficariam conhecidos como Domínio do Canadá.

Esse novo País, surgia com um parlamento similar ao britânico, com a Câmara dos Comuns e o Senado, que tratava dos assuntos de natureza nacional. Assim como os estadunidenses, cada província tinha suas próprias leis internas para assuntos locais e, logo depois de se organizarem, eles começaram a se expandir para o Oeste.

Em 1869, um levante anexou a província de Manitoba à nova nação. Um ano mais tarde, a Columbia Britânica decidiu se incorporar ao vizinho. Em 1873 a Ilha do Príncipe Eduardo seguiu o mesmo caminho e por fim, em 1949, a região de Terra Nova juntou-se ao território, dando a ele a extensão que tem hoje.

Economia e Aspectos Culturais

Durante o começo do século XX o Canadá modernizou sua economia e tornou-se uma potência agrícola e industrial. No pós-depressão de 1930, o país superou a crise com maestria e após a segunda-guerra mundial, alcançou o posto de quarto maior parque industrial do mundo.

Na segunda metade do século passado, as autoridades do país implementaram uma série de programas sociais e culturais que elevaram o padrão de qualidade de vida e transformaram o país numa espécie de paraíso. O Canadá tem um índice de desenvolvimento humano muito alto, uma moeda forte e atrai imigrantes de todos os cantos do planeta.

Sobre sua cultura no geral, é legal lembrar que os canadenses são multiculturais e progressistas, fiéis defensores da imigração e do enriquecimento através do aprendizado. Eles têm políticas públicas voltadas a esse setor e incentivam a diversidade étnica e racial.

Seu símbolo cultural mais famoso é a Maple Leaf, ou Folha de Bordo, aquela mesma que você pode ver na bandeira do país. Essa folha tem tanta importância, quanto a árvore da qual eles extraem um de seus produtos mais famosos, o xarope de bordo, uma calda semelhante ao mel que os canadenses adoram colocar sobre suas panquecas no café da manhã.

O castor também é considerado um símbolo nacional, estampando moedas, selos e até mesmo brasões do país.

As datas comemorativas do Canadá são levadas muito a sério por eles. O Natal, o Halloween e o Dia de Ação de Graças são comemorados de maneira similar aos seus vizinhos estadunidenses, parecido com toda aquela emoção que vemos nos filmes, como Esqueceram de Mim, meu papai é Noel e tantos outros que Hollywood nos vendeu na Sessão da Tarde.

Uma coisa legal dos Canadenses é que eles costumam montar árvores natalinas com pinheiros de verdade, tomando cuidado para replantar as árvores após a celebração do feriado.

Eles também comemoram o Canada Day em 1 de julho, com eventos promovidos pelo governo que contam com shows, desfiles, grandes almoços e apresentações com fogos de artifício. Outra data que vale ser lembrada é o Remembrance Day que eles comemoram em 11 de novembro com 2 minutos de silêncio pelos jovens mortos durante as duas guerras mundiais nas quais o Canadá tomou parte.

O Esporte é parte essencial da cultura Canadense e as modalidades mais praticadas são o hóquei, beisebol, basquete e futebol. Eles também amam esportes de inverno como patinação, esqui e snowboarding. Outra coisa interessante é que o Cirque du Soleil, apesar de ter artistas de todas as partes do mundo, fica em Montreal e tem origem no Canadá. Eles apresentam espetáculos belíssimos por todo o mundo.

Primeira Leitura

Flores de Fogo

E somente quando o incêndio na mata se acarreta
queimando as terras nortenhas com firmeza
uma doce flor selvagem, levanta sua fronte violeta
e, como um espírito gentil, alimentado pela tristeza
esconde suas cicatrizes com mãos quase humanas

E apenas para o coração que conhece a dor
do fogo desolador, da dor humana
vem um credo purificador
um sentimento amigável de beleza, passageiro
e a vida renasce e floresce mais uma vez.

Esse poema em especial, foi difícil de traduzir, pois os versos possuem um tipo característico de rimas duplas bem interessante, mas que ficou difícil de transpor para o português sem alterar o sentido do que ela gostaria de dizer. No nosso post de apoio, você vai poder encontrar a poesia original e a tradução que eu fiz. Aliás, se alguém aí tiver mais experiência com tradução e quiser me dar umas dicas, eu super aceito.

Quem foi Tekahionwake

Nascida Emily Pauline Johnson, em 10 de março de 1861, a nossa poetisa era filha de uma imigrante inglesa e de um chefe indígena da etnia Mohawk. Seu pai se chamava George Henry Martin Johnson e sua mãe Emily Susanna Howells Johnson. Eles eram vistos como parte da alta sociedade canadense, pois seu pai trabalhava como um intérprete e negociador entre o governo e os Mohawks e isso dava um enorme prestígio na sociedade da época.

Por conta da posição de seu pai, Emily teve contato desde muito cedo com figuras importantes de seu tempo, como a Marquesa de Lorne, a Princesa Louise da Prússia e o Príncipe Arthur da Inglaterra, bem como Alexander Graham Bell, o inventor do telefone.

Sua mãe criou a pequena Emily enfatizando sempre o decoro e o refinamento femininos em voga na época, o que lhe rendeu um “ar de dignidade” entre a sociedade local. Seu pai, por sua vez, incentivava ela e seus irmãos a honrarem suas ancestralidades inglesa e mohawk por igual. O interessante aqui é que embora eles fossem considerados parte Mohawk pela sociedade inglesa, o mesmo não acontecia na sociedade Mohawk, pois para eles, as crianças herdam a ancestralidade da mãe.

A Pequena Emily Pauline, Disponível em Forbidden Vancouver

Emily foi educada em casa, pois na sua infância, teve uma saúde frágil. Sua família tinha uma extensa biblioteca então ela teve contato com influências como Lord Byron, Alfred Tennyson e John Milton. Além disso, ela também leu os poemas épicos “Song of hiawatha” e “Wacousta” ainda menina.

Na sua adolescência e começo da vida adulta, a Pauline atraiu muitos pretendentes e, apesar de ter se relacionado com dois deles, ela não se casou nem teve um relacionamento duradouro, pois, de acordo com suas irmãs e com a própria, ela não estava disposta a abandonar sua carreira e sua ancestralidade para agradar maridos e sogros.

A falta de um companheiro, no entanto, não fez muita diferença para ela, uma vez que se apoiava bastante em suas amigas que lhe forneciam apoio emocional e davam suporte à sua carreira, tanto que ela chegou a declarar o seguinte:

“As mulheres gostam mais de mim do que os homens. Nenhum homem falhou comigo, e espero não ter falhado com nenhum. É um grande prazer para mim conhecer uma mulher simpática, uma que eu sinto que vai me entender e, por sua vez, me deixará entender sua própria vida – ter confiança em mim, essa é uma das coisas mais queridas entre amigos, estranhos, conhecidos ou parentes”

Na década de 80, do século 19, ela escreveu e atuou em produções amadoras de teatro até a morte de seu pai em 1884, quando a família alugou a propriedade Chiefswood e alugou uma casa mais modesta, para onde ela, a mãe e a irmã se mudaram. Nessa época, após um breve luto, ela voltou a atuar e com esse esforço complementou a renda da família, ajudando a mãe a irmã até a morte da mãe em 1898.

Em 1892 a Associação dos Jovens Liberais convidou Emily para um encontro na escola de Artes de Toronto. Era a única mulher no evento, onde leu para uma multidão lotada, ao lado de poetas como William Douw Lighthall e William Campbell. Seu poema “Cry from an indian Wife” foi aplaudido de pé e ela foi a única autora daquele tempo que foi convidada duas vezes por esse público. Vale dizer que essa apresentação também marcou a estreia de suas apresentações como oradora e declamadora.

Daí em diante, Pauline e Tekahionwake começaram a se confundir. Pois seus recitais começaram a assumir um tom performático no qual ela fazia uma dicotomia entre suas duas ancestralidades, brincando ora com seu lado europeu, ora com seu lado Mohawk. Ela até se vestia de forma característica para incrementar sua performance, tanto como Tekahionwake como quando era Pauline.  Ela caprichava tanto nas roupas que usava, que após a sua morte a maioria delas foi vendida a colecionadores e seu traje indígena foi doado ao Museu de Vancouver.

Johnson morreu de câncer de mama em 7 de março de 1913 em Vancouver, British Columbia. A devoção a ela persistiu após sua morte. Seu funeral foi realizado no que teria sido seu aniversário de 52 anos. Foi o maior funeral público da história de Vancouver até aquele momento. A cidade fechou seus escritórios e hasteou bandeiras a meio mastro; um serviço memorial foi realizado na igreja mais prestigiosa de Vancouver, a catedral anglicana supervisionada pelo Women’s Canadian Club. Pessoas squamish também se alinharam nas ruas e seguiram seu cortejo fúnebre em 10 de março de 1913. A manchete da província de Vancouver no dia de seu funeral dizia: “A poetisa do Canadá está descansando”. Serviços memoriais menores também foram realizados em Brantford, Ontário, organizados por admiradores euro-canadenses.

As cinzas de Johnson foram colocadas no Stanley Park perto de Siwash Rock, através da intervenção especial do governador-geral, o duque de Connaught, que a visitou durante sua doença final, e Sam Hughes, o ministro da milícia.

Seu Memorial, disponível em Forbidden Vancouver

Seu testamento foi preparado pela prestigiosa organização de Sir Charles Hibbert Tupper, filho do ex-6º primeiro-ministro do Canadá. Apesar da preferência de Johnson por uma sepultura não marcada, o Women’s Canadian Club procurou arrecadar dinheiro para um monumento para ela. Em 1922, um marco foi erguido em seu local de sepultamento com a inscrição afirmando, em parte, “Em memória de alguém cuja vida e escritos foram uma elevação e uma bênção para nossa nação”. Durante a Primeira Guerra Mundial, parte dos royalties de Legends of Vancouver foi para a compra de uma metralhadora com a inscrição “Tekahionwake” para o 29º Batalhão da Força Expedicionária Canadense. Johnson deixou uma marca na história canadense que continuou muito depois de sua morte.

Músicas que inspiraram o episódio

Carreira Literária

                Johnson publicou seu primeiro poema completo, “My Little Jean”, no New York Gems of Poetry. Ela começou a aumentar o ritmo de sua escrita e publicação depois.

Em 1885, o poeta Charles G. D. Roberts publicou “A Cry from an Indian Wife” de Johnson na revista The Week, Goldwin Smith’s Toronto. Roberts e Johnson tornaram-se amigos ao longo da vida. Johnson promoveu sua identidade como Mohawk, mas quando adulta passou pouco tempo com pessoas dessa cultura.Em 1885, Johnson viajou para Buffalo, Nova York, para participar de uma cerimônia em homenagem ao líder Haudenosaunee Sagoyewatha, também conhecido como Red Jacket. Ela escreveu um poema expressando admiração por ele e um pedido de reconciliação entre os povos britânicos e nativos.

Em 1886, Johnson foi contratado para escrever um poema para marcar a inauguração em Brantford de uma estátua em homenagem a Joseph Brant, o importante líder Mohawk que se aliou aos britânicos durante e após a Guerra Revolucionária Americana. Sua “Ode a Brant” foi lida em uma cerimônia de 13 de outubro diante da “maior multidão que a pequena cidade já viu”. Apelou para a fraternidade entre canadenses nativos e brancos sob a autoridade imperial britânica. O poema provocou um longo artigo no Toronto Globe e aumentou o interesse pela poesia e herança de Johnson. O empresário de Brantford William Foster Cockshutt leu o poema na cerimônia, pois Johnson era supostamente muito tímido.

Durante a década de 1880, Johnson construiu sua reputação como escritora canadense, publicando regularmente em periódicos como Globe, The Week e Saturday Night. No final da década de 1880 e início da década de 1890, ela publicou quase todos os meses, principalmente no Saturday Night. Johnson é considerado entre um grupo de autores canadenses que estavam contribuindo para uma literatura nacional distinta. A inclusão de dois de seus poemas na antologia de W. D. Lighthall, Songs of the Great Dominion (1889), sinalizou seu reconhecimento. Theodore Watts-Dunton a elogiou em sua resenha do livro; ele citou seu poema inteiro “In the Shadows” e a chamou de “a poetisa mais interessante que agora vive”. Em seus primeiros trabalhos, Johnson escreveu principalmente sobre a vida canadense, paisagens e amor em um modo pós-romântico, refletindo interesses literários compartilhados com sua mãe, ao invés de sua herança Mohawk.

Depois de se aposentar dos palcos em agosto de 1909, Johnson mudou-se para Vancouver, na Colúmbia Britânica, onde continuou escrevendo. Suas peças incluíam uma série de artigos para o Daily Province, baseados em histórias relatadas por seu amigo, o chefe Joe Capilano, do povo Squamish de North Vancouver. Em 1911, para ajudar a sustentar Johnson, que estava doente e pobre, um grupo de amigos organizou a publicação dessas histórias sob o título Legends of Vancouver. Permanecem clássicos da literatura daquela cidade.

Poutine

Ah, o poutine! Tão simples, mas tão delicioso! As fotos não podiam faltar né?

Eu fiz as batatas na Air Fryer mesmo, ficaram super sequinhas e ‘cocrantes’

Joguei um ‘queijim’, antes de colocar o molho. No Canadá eles usam outro tipo de queijo, mas aqui foi muçarela mesmo.
Por fim o molho, que fiz com caldo de carne, um pouquinho de trigo, manteiga, pimenta do reino e manjericão.

Você pode conferir essa receita deliciosa aqui no Guia do Estrangeiro!

Segunda Leitura       

Nascidos no Canadá

Vimos a primeira luz, no Canadá, terra amada por deus
                Somos o pulso do Canadá, medula e sangue seus
                E nós, homens do Canadá, podemos enfrentar o mundo e nos gabar
                Que nascemos no Canadá, a bandeira britânica a tremular.

Poucos de nós tem o sangue real, poucos tem o nascimento cortês
                Menos ainda são vagabundos ou patifes, sem valor, sem vez
                E todos nós, temos uma credencial, que nos permite gabar
                Que nascemos no Canadá, a bandeira britânica a tremular.

Temos de fazer nosso dinheiro, temos de fazer nossa fama
                Nós temos o ouro e a glória, em nosso nome limpo de colônia;
                e todo homem é um milionário, se ele puder se gabar
                que nasceu no Canadá, a bandeira britânica a tremular.

Nenhum título ou coroa são tão orgulhosamente usados
                Como os que por nosso nascimento são herdados,
                Não há homem tão nobre que não queira se gabar
                se ele nasceu no Canadá, a bandeira britânica a tremular.

Os holandeses tem sua Holanda, o espanhol sua Espanha
                Os ianques ao sul, que no sul fiquem
                pois nenhum ousará, levantar a mão a quem pode se gabar
                que nasceu no Canadá, a bandeira britânica a tremular!

Esse poema eu achei um pouco mais fácil de adaptar ao português que o primeiro. Podemos ver que ela tinha muito orgulho de sua origem e, por ser um poema escrito em tempos de guerra e tensão, faz muito sentido usar essa temática para levantar o moral da população. A Pauline era amada pela sua nação e devolvia esse amor em medida igual.

Encerramento

E aí, o que você achou da Tekahionwake? Como foi esse nosso passeio breve pela poesia dessa poetisa emblemática do Canadá?

Eu me diverti muito e devo dizer que tenho um certo interesse pessoal no Canadá, por mais que o país tenha sido sorteado, fiquei super-feliz que tenha sido o escolhido para o segundo episódio e aproveitei pra dar uma olhada nas paisagens de lá. Gente, que lugar lindo!

Bem, é isso, eu espero que vocês tenham gostado e espero vocês nos próximos episódios! Um grande abraço e fiquem em paz!! Leiam sempre!

Fontes

As fontes de pesquisa para esse post e episódio foram:

Public Domain Poetry
Wikipedia
Brasil Escola

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