Post de Apoio: Di Brandt, a primeira poetisa laureada pela Cidade de Winnipeg

MIKE APORIUS / WINNIPEG FREE PRESS Di Brandt – Winnipeg’s first Poet Laureate September 13, 2019

Sobre este episódio

Salve, meus amantes da poesia! Sejam bem vindos a mais um episódio bônus do Poesia de Cozinha! Este é um episódio para complementar o nosso segundo episódio da primeira temporada, que foi lançado no sábado, dia dois de abril de 2022.

O que você vai ver nesse bônus, era na verdade o conteúdo do episódio principal, mas por questões de direitos autorais e contratuais, eu não consegui colocar tudo no ar a tempo, então eu reservei essa surpresa para o bônus, então sem mais delongas, vamos ao episódio.

A voz de Winnipeg:

Di Brandt foi a primeira poetisa laureada de Winnipeg, através de um prêmio concebido pelo Winnipeg’s Arts Council, nos anos de 2018 e 2019. Ela é uma poetisa, autora, ensaísta e crítica literária de renome internacional e premiada em diversas esferas da poesia.

A Di já publicou vários livros desde seu mais recente “Glitter & Fall: Laozi’s Dao De Jin, Transinhalations” pela Turnstone Press, do Canadá, sem tradução para o Português ainda. Aliás, por falar em tradução, fico contente de dizer que sua primeira tradução para o português, autorizada pela própria, foi feita por este que vos fala!

Esse prêmio, do conselho de arte de Winnipeg, funciona como uma espécie de mandato de dois anos, onde o poeta é convidado em escolas, palestras e se torna uma espécie de embaixador da cultura local. A Di, por exemplo, apresentou uma palestra em comemoração ao Mês Nacional da Poesia e sim, o Canadá, tem um mês inteiro dedicado a isso, onde ela falou para o conselho municipal da cidade, sobre a história dos poetas de Winnipeg e a influência que eles tiveram na construção da vida local.

Outra de suas conquistas, durante esse mandato, foi o “Poetry in Many Languages”, uma celebração que convida os cidadãos de todas as partes do mundo que vivem em Winnipeg, para recitarem poemas em suas línguas maternas. O evento acontece no Dia mundial da Poesia e até agora apresentou poemas escritos e apresentados em inglês, francês, cree, suaíli, kráo, ucraniano, africâner, tâmil, japonês, polonês, língua de sinais americana, russo, iorubá, árabe, alemão, Ojibwe, michif, mandarim, letão, iídiche, vietnamita, sânscrito, espanhol e punjabi.

River People

for Tomson and Raymond

I have come now to live with the river people.
I was raised among the earth people, proud
dirt under the fingernails, long rugged silent
days of hoeing and plowing. Electric barbed
wire to keep the cows in, tin granaries bulging
with ripe wheat. Bright orange carrots rooted
improbably, juicy, green feather topped, in
cracked black soil. Meadow larks perched on
the fenceposts along the gravel road,
announcing the morning with their cheery
trilling song.

I lived with the lake people for awhile, sand
coloured beaches, blue grey water, sparkling
sky, no fixed borders anywhere. Ground
squirrels darting through the bushes. The
slow put put put of the weatherbeaten grey
aluminum boat. Pungent smell of rotted fish,
rustle of dead mayflies, flash of white wings
and sharp beaks. Shots ringing out. Midnight
feast for the whole clan. Too much drink.
Aurora borealis painting the night sky, and
the moon, the moon.

There were the years I lived with the asphalt
and cement people, dedicated to glass and
steel, and cars, and money, and speed.
Pinstriped linen suits over crisp white cuffs,
tooled leather briefcases, colour coded digital
presentations in fashionable Power Point.
Statistics, analyses, tables, maps, reports.
Hurry hurry, faster faster, more more. Belgian
raspberry cider in goldrimmed glasses.
Yachts and sailboats on the canal. Parched
ditches, car accidents, the singing stars
muffled behind inky clouds.

There were the years I lived in the air,
crowded cabins with TV screens built into
the seatbacks, dinners on plastic trays.
Smiling servants everywhere. Liptstick,
pantyhose, eye shadow, stilettos. Yellow
turbans and hand embroidered slippers.
Passports, hotel reservations, waitlines,
security checks. Fresh squeezed orange juice
for breakfast, crisp papaya salad for lunch,
piña colada at seven. Ambassadorial
receptions, keynote addresses, interviews.
Pictures in the newspapers.

I have come now to live with the river people.
We sit on the reedy shore and watch the water
flow by, urgently, purposefully, carrying the
continent’s pulse and debris firmly along to
the bay we have heard about, on the edge of
a mythical northern ocean, with seal
mermaids and melting ice floes, far away.

We watch the people living on the other side
with their bigger yards and lusher gardens
and louder dinner parties, knowing we live on
the superior wilder, slower, freer side. Don’t
we? And they, do they feel pity, or envy,
looking across at us perched on our
unadorned rocks, with our fishing lines and
ragged sprawling nettle and burdock groves?

We chat with the geese. We watch the sun’s
reflection as it’s going down, a long wavering
red line slashing the water. We sing to the
fish. We scatter many coloured flower petals
to the spirit bones of our beloved
remembered drowned, the overdosed, the
lost, the disappeared. The deep heart’s cry
of why, why, why, why, why. We pick wild
berries, sumach, raspberry, blackberry, on
the shore. The smoke of our tiny backyard
fires, tobacco lit, spirals upward toward the
heavens.

My fingers begin to remember how to weave
willow baskets and bright coloured shawls.
My lips begin to mutter the old songs in the
old languages, my tongue curling gingerly
around the strange and familiar sounds.
I begin to hear the babble and gurgle, the
gloog gloog gloog, at the earth’s deep core.
My mind begins to wander the swirling
galaxies. What could I possibly want, more?

© Di Brandt 2019

Primeira Leitura: Povo do Rio

Para Tomson e Raymond

Eu vim viver agora, com o povo do rio
eu cresci entre o povo da terra, orgulhosa
da sujeira entre minhas unhas, dos longos, robustos e silenciosos
dias de capina e arado. Cercas elétricas de arame farpado
para manter as vacas presas, celeiros de estanho brilhando
com trigo maduro. Cenouras brilhantes, enraizadas
de forma improvável, suculentas, com folhas verdes no topo, no
solo preto rachado. Cotovias empoleiradas nos postes da cerca
ao logo do caminho de cascalho,
anunciando a manhã, com seu alegre trinado.

Eu vivi entre o povo do lago, por um tempo, praias
arenosas e coloridas, água azul cinzenta, céu
brilhante, sem fronteiras para qualquer lado. Esquilos
correndo pelo terreno, em direção aos arbustos. O
devagar puh puh puh de um barco cinza de alumínio,
castigado pelo tempo. O cheiro pungente de peixe
apodrecido, o farfalhar de moscas mortas, flashs de
asas brancas e bicos afiados. Tiros que ecoavam. Meia noite
festa para todo o clã. Muita bebida.
Aurora boreal, que pintava o céu noturno, e
a lua… A lua.

Foram os anos que vivi no asfalto,
e no cimento, dedicados ao vidro
e ao aço, aos carros, ao dinheiro e a velocidade.
Ternos de linho listrados, punhos brancos,
Maletas de couro trabalhadas, apresentações
Coloridas em um Power Point da moda.
Estatísticas, análises, tabelas, mapas, relatórios.
Depressa, depressa, mais rápido, mais rápido, mais, mais!
Cidra belga em copos de aro de ouro.
Iates e veleiros no canal. Valas secas
Acidentes de carro, as estrelas cantando abafadas
por trás das nuvens escuras.

Houveram os anos que vivi no ar,
cabines lotadas, com telas de tv embutidas
nos encostos dos bancos, jantares em bandejas plásticas.
Garçons sorridentes em todos os lugares. Batom,
meia calça, sombra para os olhos, salto-agulha. Turbantes
amarelos e chinelos bordados à mão.
Passaportes, reservas de hotéis, filas,
verificações de segurança. Suco de laranja fresco para o café
da manhã, salada de mamão crocante no almoço
piña colada às sete. Recepções na embaixada, palestras
entrevistas e fotos nos jornais.

Eu vim viver agora, com o povo do rio.
Sentamos na margem coberta de juncos e observamos a água
fluir com urgência, propositalmente, levando o pulso
e os detritos do continente, firmemente ao longo
da baía de que ouvimos falar, à beira
de um mítico oceano do Norte, com focas
sereias e blocos de gelo derretendo ao longe.

Nós observamos as pessoas vivendo do outro lado
com seus enormes quintais e jardins exuberantes
e jantares barulhentos, sabendo que vivemos
no lado superior, mais selvagem, mais lento e mais livre. Não
vivemos? E eles, eles sentem pena, ou inveja
olhando para nós, empoleirados em nossas rochas
sem adornos, com nossas linhas de pesca
e nossos farrapos de urtiga e bardana?

Nós falamos com os gansos. Assistimos o reflexo do sol
enquanto ele desce, uma longa oscilação sobre
a linha vermelha cortando a água. Cantamos para
os peixes. Espalhamos milhares de pétalas de flores
coloridas sobre os ossos e os espíritos de nossos amados
afogados, os que sofreram overdoses, os desaparecidos.
O choro do coração profundo, que clama
Por que, por que, por que, por que?
Nós colhemos as bagas selvagens, o sumagre, a framboesa
e a amora na costa. E a fumaça de nosso pequeno quintal,
as fogueiras, tabaco aceso, espiralam em direção aos céus.

Meus dedos começam a se lembrar de como tecer
cestas de salgueiro e xales de cores vivas.
Meus lábios começam a murmura as velhas canções
em línguas antigas, minha língua dobrando cautelosamente
em torno dos sons estranhos e dos familiares.
Começo a ouvir o balbucio e gorgolejo, o
gluu gluu gluu, no núcleo profundo da terra.
Minha mente começa a vagar pelo turbilhão
das galáxias. O que eu poderia querer, mais?

Um pouco mais sobre a Di

Di nasceu em Reinland, uma aldeia no sul da província de Manitoba. Seu primeiro livro de poesias é baseado nas perguntas que ela costumava fazer à sua mãe e leva esse nome. Foi publicado pela editora “Turnstone Press”, no ano de 1987. Desde então, sua produção literária não parou mais e ela publicou outros sete livros.

Ela é formada pela Universidade de Manitoba e também pela Universidade de Toronto. Lecionou Escrita Criativa e Literatura Canadense, além de ser editora de poesia na revista Prairie Fire & Contemporary Verse, durante as décadas de 80 e 90. Também atuou como representante da província de Manitoba na Liga Nacional dos Poetas e na União dos Escritores do Canadá.

Seus poemas tratam de diversos temas, sendo recorrentes a escrita sobre a maternidade, a vida cotidiana no Canadá e a luta dos povos nativos, bem como a importância do acolhimento aos imigrantes. Sua poesia transborda ativismo e acolhimento e eu me senti abraçado lendo cada pedaço de verso dela.

A Receita da Di

Eu não posso deixar de dizer que estou muito feliz com esse episódio. Eu sinto que o podcast está ficando cada vez mais gostoso de se produzir, tanto nos aspectos técnicos, quanto nos aspectos culinários vamos à receita da Di.

Essa eu vou postar aqui, pois como foi uma receita de família, que ela me passou especialmente para O Poesia de Cozinha, vocês vão vê-la em primeira mão.

Fatias de Saskatoon e Groselha

Para a Massa

  • 2 xícaras de Farinha de trigo;
  • 1 ovo;
  • 100g de margarina ou gordura vegetal;
  • 2 colheres e ½ de sopa de açúcar;
  • 1 colher de sopa de fermento
  1. Misture todos os ingredientes da massa e amasse com as mãos;
  2. Leve à geladeira, por uns 30 minutos;
  3. Forre o fundo da forma com a massa, moldando as bordas para o recheio;
  4. Fure com um garfo ou palito de dentes ao longo do corpo da massa, para não estufar;
  5. Deixe esfriar a massa para então por o recheio.

Para o Recheio

  • 200g Saskatoons (Se não os encontrar, pode ser mirtilos);
  • 200g de Groselha in Natura
  • 50g Açúcar cristal;
  • 50g de tapioca;
  • 50g de Manteiga ou Margarina;
  1. Forre a massa com os saskatoons ou mirtilos e as groselhas;
  2. Polvilhe com o açúcar, a tapioca e a manteiga;
  3. Asse até borbulhar, algo em torno de 15min.
  4. Retire do forno, espere esfriar e sirva.

Eu fiz aqui, e meu deus, que maravilha.

Mid-Afternoon Benediction

for Dominic

That time I crossed Michaëlle Jean Park in late August
on the sunlit gravel path, and you and your friends

rose like a vision through the splendid green-leafed
ash trees, up from the hidden mudbank of the magic

Red River: you were all in tattoos and black leather,
your dark eyes wide open and spacey, and I wanted

to swerve so as not to have to meet or greet you, but
I didn’t, I stayed true, and your friends all warmly

greeted me too, though it was only you who turned
back to chat and shake my hand.  You asked me my

name, and you told me yours, which I remember now
as Dominic, though it may have been Richard or Maurice,

and you asked me to pray for you, right there in the sun-
streaked grass beside the gravel path.  And I stammered

out a small prayer, and you pressed my hand warmly
to thank me, and turned smiling to join your friends.

And I, I stumbled home ashamed not to have prayed
more elegantly for you.  And I said the prayer again,

Dominic, mentioning your name and your warm strong
hands and open heart. I spoke of your hard life and your

cut up hopes and the large grace you carry even so.
And I thanked you for the benediction, the blessing you

gave me, too, there on the gravel path, among the sun-lit
stones, your bright spirit pouring living water upon

the parched riverbed of my people’s scattered bones,
moment of greatness, blast of beauty, whiff of the divine,

ancestral smiles among the green-leafed trees, rippling
like lace in the slightly shivering mid-afternoon breeze.

© Di Brandt 2018

Segunda Leitura: Benção do meio da tarde

Para Dominic

Aquela vez em que eu atravessei o Parque Michaëlle Jean, no fim de Agosto
na trilha ensolarada de cascalho, você e seus amigos

ergueram-se como uma visão, sobre o esplêndido tom verde-folha
dos freixos, acima do lamaçal escondido da magia

Red-River: você estava cheio de tatuagens, vestindo couro preto,
Seus olhos escuros, semiabertos e espaçados, e eu procurei

desviar, para não ter de encontra-lo, ou cumprimenta-lo, mas
eu não, eu permaneci fiel e todos os seus amigos, calorosamente

me cumprimentaram também, eu pensei que era a única para quem você
se virou para cumprimentar e apertar minha mão. Você perguntou meu

nome e me disse o seu, o que eu me lembro agora
era Dominic, mas também poderia ser Richard, ou Maurice

e você me pediu para orar para você, bem ali, onde o sol
acertava a grama, ao lado do caminho de cascalho. E eu gaguejei

uma prece pequena, e você apertou minha mão calorosamente
para me agradecer, e virou-se sorrindo para se juntar aos seus amigos.

E eu, eu voltei aos tropeços para casa, envergonhada por não orar
de forma mais elegante para você. E eu disse a prece novamente,

Dominic, mencionando seu nome e suas mãos quentes, fortes e calorosas
e seu coração aberto. Eu falei sobre sua vida dura e suas

esperanças perdidas e a grande graça que você mantém ainda assim.
E eu agradeci pela bênção, a bênção que você

me deu, também, ali na trilha de cascalho, sobre as pedras
ensolaradas, seu espírito brilhante, derramando água viva

sobre o leito ressecado, do rio que corre sobre os ossos do meu povo
um momento de gratidão, explosão de beleza, um sopro do divino

ancestral, sorrisos sobre as árvores verde-folha, ondulando como rendas
na brisa suave do meio da tarde.

Encerramento

Esse episódio deu um certo trabalho para ser produzido, mas eu estou feliz com o resultado. Foram alguns e-mails trocados com a autora, tive de superar meu medo de falar em inglês, para poder ir atrás de uma poetisa viva com quem pudesse falar. O episódio com o Dr. Sendoo, da Mongólia foi feito mais na cara e na coragem, do que da forma correta, tanto que até hoje estou aguardando uma resposta dele, mas conversar com a Di, conseguir essa permissão de publicar uma versão em português do trabalho dela, para mim foi maravilhoso.

Eu espero que todos vocês que estejam escutando isso agora, compartilhem dessa experiência algum dia, de conhecer alguém que te inspira, de entender seu contexto e de poder participar de certa forma, do desenvolvimento dessa relação mais íntima entre a poesia, o poeta e o leitor.

Um abraço, fiquem firmes e fortes e leiam sempre!

Créditos

Di Brandt é uma poetisa internacionalmente aclamada de Winnipeg, Canadá, cujos títulos de poesia incluem questions I asked my mother (2016, 1987), Agnes in the sky (1990), Now You Care (2003), Walking to Mojacar, com traduções em francês e espanhol de Charles Leblanc e Ari Belathar (2014), e Glitter & fall: Laozi’s Dao De Jing, Transinhalations (2018). “Mid-Afternoon Benediction” e “River people” foram escritas durante a nomeação de Di Brandt como Poeta laureado inaugural da cidade de Winnipeg, e podem ser encontradas (juntamente com outros escritos) no site do Winnipeg Arts Council, em www.wac.ca . “River people” recebeu o GOLD National Magazine Award (Canadá) em 2019, e foi destaque na Prairie Fire Magazine e Best Canadian Poetry. Os poemas foram traduzidos para o português por Fernando Serra, e aparecem aqui em inglês e português com a permissão de Di Brandt e Fernando Serra. 

Di Brandt is an internationally acclaimed poet of Winnipeg, Canada, whose poetry titles include questions I asked my mother (2016, 1987), Agnes in the sky (1990), Now You Care (2003), Walking to Mojacar, with French and Spanish translations by Charles Leblanc and Ari Belathar (2014), and Glitter & fall:  Laozi’s Dao De Jing, Transinhalations (2018).  “Mid-afternoon benediction” and “River people” were written during Di Brandt’s appointment as the inaugural Poet Laureate of the City of Winnipeg, and can be found (along with other writings) on the Winnipeg Arts Council website, at www.wac.ca.  “River people” received the GOLD National Magazine Award (Canada) for 2019, and were featured in Prairie Fire Magazine and Best Canadian Poetry. The poems were translated into Portuguese by Fernando Serra, and appear here in English and Portuguese by the permission of Di Brandt and Fernando Serra.

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